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"BBB17" começou diferente e terminou na mesmice

Emilly foi a vencedora da temporada 2017

Publicado em 14/04/2017 às 15:59

Por André Salem


Reprodução

Acabou mais um "BBB". Emilly foi a campeã com 58% da preferência dos telespectadores, na noite desta quinta-feira (13).

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A gêmea misturou polêmica, protagonismo com a "boa moça", vítima de agressão. Só protagonismo não ganha, só polêmica não ganha, só vitimismo não ganha. Os três juntos, sim. Já vimos isso em outras edições, né?

Parecia que seria um programa diferente. Começou inovando, com Pedro Bial passando o bastão para Tiago Leifert. O "Ti", como ele é chamado, impôs um jeito bem diferente de comandar o reality, que não agradou a todos os internautas, mas não dá para negar que foi diferente.

Tiago se envolveu mais com o programa do vinha Bial, talvez porque já não estava mais no pique como nas primeiras edições. O novo apresentador se envolveu tanto com os participantes que até entrou na casa dois dias antes da final, coisa que não tinha acontecido antes.

Discursos de eliminação mais claros e objetivos, dando dicas sobre o que estava acontecendo no jogo e emocionando os brothers, coisa que ele sabe fazer bem, desde quando começou fazendo esporte. Tiago Leifert foi preparado para o entretenimento, para o "show". Eu gostei.

O "BBB17" começou com dois casais de gêmeos: Emilly e Mayla, Manoel e Antônio, e o público só poderia escolher um dos dois (um homem e uma mulher) para continuar no jogo.

Outra novidade foi na escolha dos participantes e suas variações. As últimas edições do reality foram marcadas por só terem gente jovem com corpos bonitos. Desta vez, contou com diferenças claras de idade, beleza e personalidade. No fim, ganhou umas das mais bonitas com as mesmas características dos ganhadores de outras edições.

Outro momento interessante do reality foi a falsa eliminação de Emilly, que mostrou o quanto ela era forte. A jovem saiu da casa e chamou outras quatro pessoas para ficarem juntos, e foi aí que consolidou o trio com Marcos e Ilmar.

O programa também inovou punindo a agressão contra mulher, coisa que pouco acontece aqui fora e não costumava acontecer em outras edições. O comportamento de Marcos foi visto em anos anteriores, mas não teve a mesma repercussão nas redes sociais, levando a emissora a tomar providências.

Teve também a inclusão de uma deficiente física, inédito no reality. Marinalva não tem uma perna e muitas provas do programa costumavam exigir velocidade. Nesta edição, todas elas foram adaptadas à paratleta, mostrando que limitação física não impede de fazer as coisas que todo mundo faz.

Algumas dinâmicas que "deram certo", continuaram: Big fone, divisão do "Tá com Tudo" e "Tá com Nada", um muro momentâneo dividindo a casa em dois - coisa que já aconteceu em outras edições, jogo da discórdia, votação aberta ao Paredão, intercâmbio de participantes - neste ano veio Elettra, do "Gran Hermano Espanha". Ou seja, tudo que envolvia discórdia. No final, a Globo apostou na mesma fórmula de sempre.

Logo nas primeiras semanas já havia vários casais, grupinhos e brigas. Parece que estou falando do "BBB16", "BBB15", "BBB14"... Pois é, tentaram fazer diferente e no final prevaleceu o igual, com uma ganhadora provável.

Discutir se Emilly merecia sair vencedora, todos vão discutir. Eu acho que não merecia, por ter apresentado vários defeitos, mas ela tem a cara de quem ganha o programa. Muitos vencedores recentes foram discutíveis, mas sempre com o mesmo perfil. Maior símbolo disso foi talvez Rodrigo Dourado, que ganhou em 2010. Era polêmico, algumas vezes vítima e muito protagonista. Chamavam de homofóbico, machista, mas ganhou.

No fim, o "BBB17" ficou marcado por polêmicas, discussões e romances. Tanta mudança para terminar na mesmice. O que não deixa de ser um modelo que dá certo, tanto que foi umas das temporadas recentes mais comentadas e assistidas, principalmente na reta final. Gente que não estava assistindo, passou a acompanhar as últimas semanas. O brasileiro é movido a isso, quando vimos duas pessoas na rua discutindo, paramos para ver e acompanhar a briga até o final, é inevitável. É a realidade. É reality.

Talvez se a atração mudar radicalmente, perde o interesse do público de acompanhar. A Globo sabe o que faz e sabe o que dá audiência.


André Salem é jornalista e apaixonado por televisão. Também é youtuber e faz stand-up comedy. Twitter: @andsalem; YouTube: Salembléia de Deus

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