Séries mexicanas

Análise: Como Multishow revolucionou a história de Chaves e Chapolin no Brasil

Fãs perderão a única exibição decente dos programas na TV se Globosat não renovar acordo com Televisa

Publicado em 12/07/2020 às 09:57


 Análise: Como Multishow revolucionou a história de Chaves e Chapolin no Brasil
Chaves no Multishow (Foto: Reprodução)

Paulo Pacheco
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Paulo Pacheco

Paulo Pacheco é jornalista formado pela faculdade Cásper Líbero e tem 30 anos. Apaixonado por televisão desde criança, escreve sobre bastidores do entretenimento desde 2013, com passagens por grandes portais e emissoras de TV.

Publicado em 12/07/2020 às 09:57

Chaves e Chapolin estão na programação do SBT há quase 36 anos. No Multishow, há apenas dois anos, e esta história poderá se encerrar daqui três semanas se o acordo com a rede mexicana Televisa não for renovado. Entretanto, é possível equiparar a importância dos dois canais para a trajetória das séries, que conquistaram milhões de fãs, no Brasil.

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De “patinho feio” do SBT, criticado na concorrência e na imprensa pelas piadas sem graça e pelo cenário de péssima qualidade, Chaves se tornou o melhor curinga de Silvio Santos. Em todo horário que o dono da emissora exibe a série (muitas vezes sem divulgação), a audiência sobe. O êxito do programa atraiu estudiosos, apaixonados por TV, jornalistas e emissoras rivais.

A Globo, por exemplo, já esnobou Chaves por não fazer parte de seu “padrão de qualidade”, mas na década passada tentou comprar a série para tirá-la do SBT (e, consequentemente, da TV). Em 2018, porém, o império de comunicação se curvou à obra de Roberto Gómez Bolaños (1929-2014) e fechou acordo com a Televisa pela exibição na TV paga, dentro do Multishow.

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Se os fãs de Chaves só conheceram o programa por causa do SBT, o Multishow foi o primeiro canal a ouvi-los. Nos últimos 30 anos, Silvio Santos fez o que quis com a vila onde moram Seu Madruga, Chiquinha, Quico e Dona Florinda: trocou horários, escondeu episódios, entre outras aberrações.

Pior ainda foi o que não fez com Chapolin, excluindo-o da programação em rede nacional durante anos (atualmente, é exibido às seis da manhã de sábado). A emissora só ouvia os fãs quando tirava os programas da grade e recebia milhares de cartas, e-mails e tweets exigindo o retorno ao ar.

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No Multishow, a relação mudou. O canal convidou fãs para entender como gostariam de ver as séries, e eles foram atendidos: Chaves e Chapolin passaram em ordem cronológica, sem imagem esticada (como fazem o Viva e a própria Globo com produções antigas) e com abertura e encerramento cortados pelo SBT.

A conquista mais importante, porém, aconteceu na dublagem. Demorou 34 anos, mas finalmente o Brasil pôde assistir a todos os episódios disponíveis de Chaves e Chapolin em português. O canal, inclusive, exibiu histórias dubladas para o SBT nos anos 80, porém escondidas no arquivo da emissora.

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Mais de 100 episódios que nunca tinham ido ao ar no país ganharam versão brasileira inédita, com todo o elenco vivo presente: Carlos Seidl (Seu Madriga), Nelson Machado (Quico), Marta Volpiani (Dona Florinda), Sandra Mara Azevedo e Cecília Lemes (Chiquinha).

Os dubladores mortos foram substituídos, gerando incômodo em ouvidos mais acostumados, por exemplo, à primeira voz de Chaves (Marcelo Gastaldi morreu prematuramente, em agosto de 1995, com apenas 50 anos). O Multishow também não foi perfeito: alterou uma piada de Chapolin por considerar homofóbica e atrasou as exibições para depois da meia-noite.

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Ser fã de Chaves no Brasil é uma tarefa difícil. Além de ter de explicar a pessoas próximas por que ainda assiste a uma produção dos anos 70 e de humor ultrapassado (porém ainda genial e inigualável), ainda sofre com os desmandos do SBT e depende de uma assinatura do Multishow para não perder a única opção decente e responsável para ver a série na TV.


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