Pisando em ovos

Genro de Silvio Santos tenta mudar relação de Bolsonaro com TVs, mas presidente atrapalha

Fábio Faria virou uma ponta entre governo e emissoras, mas Bolsonaro atrapalha

Publicado em 08/07/2020 às 04:27


 Genro de Silvio Santos tenta mudar relação de Bolsonaro com TVs, mas presidente atrapalha
Fábio Faria, genro de Silvio Santos, vem tentando melhorar relação do governo com TVs - Foto: Divulgação

Daniel César
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Daniel César

Daniel César é jornalista formado, pós-graduado em linguística e em roteiro de televisão, com mestrado em Literatura. Trabalha com o universo da televisão desde 2010 e já fez cursos de dramaturgia com nomes como Carlos Lombardi e Thelma Guedes. Me siga no Twitter e no Instagram pelo @demlocesar

com Naian Lucas Publicado em 08/07/2020 às 04:27

A nomeação de Fábio Faria para o cargo de Ministro das Comunicações parece ter sido um tiro certo da gestão de Jair Bolsonaro. Ao menos esta é a avaliação de pessoas ligadas às principais emissoras de TV do país, que perceberam uma mudança de postura no tratamento que o governo federal vem dispensando aos veículos desde que o genro de Silvio Santos assumiu o cargo. A avaliação, no entanto, é que o ex-deputado federal precisa controlar o próprio presidente.

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O NaTelinha apurou que o clima nos bastidores de quem cobre política na televisão mudou completamente desde que Fábio Faria se tornou ministro. Repórteres e setoristas garantem que o tom agressivo das entrevistas e também no momento de se apurar reportagens mudou muito. Informações que antes eram inacessíveis e reuniões quase impossíveis de serem agendadas agora voltaram à normalidade do que sempre ocorreu na relação entre imprensa e governo federal antes da atual gestão assumir.

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Um repórter comentou que até os apoiadores de Bolsonaro, que costumam ficar nas proximidades do Planalto, adotam menos ataques do que se via anteriormente graças a diálogos abertos entre membros do Ministério de Fábio Faria e dos fãs do presidente. O clima somente fica mais quente quando o próprio Jair Bolsonaro toma decisões unilaterais, como a da última terça-feira (07), ao conceder entrevista para apenas três emissoras confirmando que está com coronavírus.

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A discreta atuação do ministro também tem sido motivo de elogios de jornalistas, que concordam ter sido um acerto a nomeação do genro de Silvio Santos. Desde que assumiu a pasta, o marido de Patrícia Abravanel já se reuniu com diversas emissoras, inclusive funcionários da Globo, para tentar acalmar a animosidade entre a imprensa e o governo. 

Genro de Silvio Santos elogiado

Neste primeiro momento, o que se vê é que o genro de Silvio Santos é alvo apenas de elogios por parte das emissoras de TV. Ele teria sido o responsável por costurar conversas com a Band, na ocasião do afastamento de Lacombe do Aqui na Band por causa do viés bolsonarista do programa, e conseguiu evitar que a alta cúpula do governo incentivasse perseguição contra o canal. A forma como o ministro administrou a crise com um canal considerado parceiro do presidente foi visto com bons olhos no Planalto, mas também entre os diretores de TV.

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Fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que Fábio Faria vem tentando salvar a relação entre o governo e a Globo. Nos bastidores fala-se que o ministro já sabe que não existe ponte entre Bolsonaro e a emissora por conta de tudo que já foi dito, mas ele espera que o canal dos Marinho possa manter um tratamento saudável com a Instituição da Administração, que é diferente da pessoa. É isso que ele vem tentando mostrar para a cúpula global e já houve sinalização positiva. 

Genro de Silvio Santos e a Secom

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Ainda de acordo com fontes, um dos principais problemas na relação entre o Ministro das Comunicações e as emissoras é a Secom. O chefe da Secretaria de Comunicação, Fábio Wajngarten, é muito mal avaliado pela direção de jornalismo de todas as emissoras de TV do país. Para repórteres e profissionais que atuam em política, o secretário não vinha abrindo canais de diálogos e lançava mão de ataques.

A política de Fábio Faria foi deixar Wajngarten desgastado e como parte do grupo ideológico de Bolsonaro, que até utiliza as redes sociais, mas que não mantém relação diária com o poder. O ministro assumiu para si a construção de uma ponte entre o governo e todos os canais de televisão ao perceber que o chefe da Secom não tinha aprovação nem de diretores de TV e muito menos de repórteres, que convivem todos os dias com o Planalto.

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A avaliação interna, tanto de canais de TV e dos técnicos que lidam com a imprensa todos os dias, é que Fábio Faria tem muito mais tato e que pode conter incêndios desnecessários contra Bolsonaro na relação governamental com veículos de comunicação. 

Genro de Silvio Santos e Bolsonaro

Toda a estratégia traçada pela equipe de Fábio Faria na tentativa de esfriar os ânimos entre imprensa e Bolsonaro passa pelo comportamento do presidente. Ao menos é o que garantem diretores de canais em conversas reservadas com seus funcionários. Para eles, de nada adianta o comportamento do ministro se a sinalização do governante é pelo caminho oposto.

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E o comportamento de Bolsonaro em dar exclusividade para a CNN Brasil, Record e TV Brasil a respeito do resultado positivo de seu exame de coronavírus não pegou bem nos bastidores. A sensação transmitida foi de que o presidente segue provocando canais vistos como inimigos e isso gerou desconforto, inclusive no Ministério comandado por Fábio Faria.

Nesta quarta-feira (08), após a publicação da reportagem, o ministro concedeu uma entrevista À Rádio Bandeirantes sobre o comportamento do presidente e garantiu que Bolsonaro está tranquilo. "Qualquer coisa que o presidente fala, sempre vão procurar algo para criticar. O presidente está calmo, estará sereno, está na dele, está em um momento de pacificação", explicou.

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Procurado, o Ministério das Comunicações não se manifestou.


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